A INTERMINÁVEL BATALHA JURÍDICA
O negócio de cartão já começou desafiando os conceitos mais
tradicionais dos negócios de crédito jurídico do pais: introduziu o conceito do
crédito pré-aprovado e rotativo, representado por um simples cartão. Com isso,
iniciamos o processo de crescimento dos valores de credito concedidos. No modelo
tradicional, uma vez que o consumidor gastava o crédito dado, ele (ou ela, mais
frequentemente) se quisesse mais teria que voltar à loja, ou ao banco, e passar
de novo pelo mesmo processo de aprovação. Um enorme tempo gasto, filas intermináveis,
repetição de trabalho, um inferno ! Com o novo e revolucionário produto, o valor
inicial do crédito era restabelecido assim que o consumidor pagasse a primeira prestação.
Duas observações interessantes: a primeira é que a loja era
sempre o principal responsável pela concessão do credito; quem dava crédito ao
consumidor era “o Mappin”, ou “a Exposição”,e não o Banco X ou Banco Y. Muito
embora, por trás das marcas comerciais, houvesse uma transação bancária, em que
o Banco X fornecia os fundos e a loja se responsabilizava integralmente pelo
crédito concedido. O consumidor sequer tomava conhecimento de que o dinheiro,
na verdade, provinha de um banco.
Outra é que não se estabelecia qualquer vinculo entre o
Banco e o cliente; tudo que havia era uma relação de crédito entre o Banco e a
Loja.
Essas duas relações jurídicas eram portanto ignoradas pelo
contrato, perdendo o banco uma excelente oportunidade de ampliar sua base de
clientes.
O novo produto virava de cabeça para baixo essas coisas: a relação
jurídica era entre o cliente e o banco, diretamente ou representado pelas “administradoras
de cartão”; ficava a critério dos homens de negócio decidir quem seria
responsável pelo eventual não pagamento.
Ora, tudo isso exigia um redesenho do arcabouço jurídico do
negócio, redesenho esse que, o futuro diria, dura até hoje nas decisões e nos
formatos de negócio.
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